Na manhã seguinte, Rocco entrou no meu escritório com uma pasta.
— Vivien pagou três funcionários da casa.
— Para quê?
— Acesso a câmeras, horários e arquivos privados.
Senti meu maxilar tensionar.
— Elena?
— Parece que ela era um dos alvos, não uma colaboradora.
Isso importava.
Rocco deixou vários extratos sobre a minha mesa.
Os pagamentos vinham de uma empresa chamada Bellrose Consulting.
— Quem a controla?
— Adrian Vale.
Olhei para ele.
Eu conhecia aquele nome.
Adrian havia trabalhado para o meu pai.
E, oficialmente, estava morto há doze anos.
— Verifique isso antes de tirar conclusões.
Rocco assentiu.
Encontrei Elena preparando o café da manhã de Mia.
Quando a menina saiu correndo atrás de sua boneca, fechei a porta.
— Sei o que Vivien tem feito com você.
Elena empalideceu.
— Senhor Duca...
— Você não está demitida. Mia está segura. Mas preciso saber por que isso começou.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Encontrei algo no quarto da sua mãe.
Isabella.
Ninguém usava aquele quarto desde a morte dela.
— O que você encontrou?
Elena tirou uma chave pequena e antiga do bolso.
— Isto.
Eu a reconheci imediatamente.
Minha mãe usava uma igual no pescoço.
A chave abriu um compartimento oculto atrás de uma estante.
Dentro, havia uma caixa de metal.
Não a tocamos antes de fotografar tudo.
Depois, Rocco a abriu.
Havia cartas.
Fotografias.
E um documento legal datado de vinte e oito anos atrás.
A primeira fotografia mostrava minha mãe ao lado de Adrian Vale.
A segunda fez Elena cambalear.
Isabella segurava uma bebê.
No verso, estava escrito:
ELENA — 1998.
Elena cobriu a boca. — Isso não é possível.
Por baixo, havia uma carta escrita pela minha mãe.
Lorenzo:
Se algum dia você encontrar isto, proteja Elena. Não lhe diga quem foi o pai dela até encontrar o documento original.
Olhei para Elena.
Nenhum de nós disse nada.
Então, Rocco encontrou o último arquivo.
Era um fundo fiduciário antigo.
Dois beneficiários constavam nele.
O meu nome.
E o de Elena.
Aquilo não provava que éramos da mesma família.
Mas provava que a presença dela na minha casa nunca tinha sido por acaso.
Então, ouvimos palmas lentas atrás de nós.
Vivien estava na porta.
Ela já não sorria.
— Finalmente — disse ela.
Rocco deu um passo à frente de Mia e Elena.
Eu permaneci imóvel.
— O que você quer, Vivien?
Ela olhou para o fundo fiduciário.
— A página que você ainda não encontrou.
— Que página?
Vivien soltou uma risadinha.
— Aquela que explica por que sua mãe escondeu Elena aqui.
Então, ela apontou para a caixa.
— E por que, legalmente, esta casa talvez nunca tenha pertencido apenas aos Duca.
Mia surgiu atrás de Elena.
Vivien olhou para ela.
— Especialmente agora que ela existe.
Baixei o olhar para a menina.
Pela primeira vez, compreendi que Vivien nunca tinha ameaçado Mia simplesmente por ela ser filha de uma empregada.
Ela a havia ameaçado porque sabia exatamente quem ela era.

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